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Euclides Oliveira
Dante Furlan
Carolina de Carvalho
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WEB
Bairro
Novo
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Bairro Novo |
São
Paulo / SP




























Projeto vencedor do concurso denominado "Bairro Novo", organizado
pelo IAB-SP e patrocinado pela Prefeitura de São Paulo Através da
SEMPLA e da EMURB. Trata-se de um assentamento urbano de uso
misto em área de mais de um milhão de metros quadrados na região
da Barra Funda, entre a Av Francisco Matarazzo e a marginal do
rio Tietê.
INTRODUÇÃO
Aristóteles definia a cidade como o ambiente natural da
humanidade, a ser aperfeiçoada continuamente para que nela o
homem pudesse desenvolver plenamente sua vocação social e
política; evidentemente este conceito não se coaduna bem com a
nossa atual realidade urbana. Nas últimas décadas nossas cidades
vem sendo submetidas a pressões de toda a ordem, que variam do
seu crescimento descontrolado até a especulação imobiliária mais
desenfreada e selvagem; seus problemas vão da falta de recursos
materiais e de infra-estrutura ao uso indiscriminado de
tipologias arquitetônicas completamente dissociadas de nossa
cultura. Em São Paulo, neste conflito entre comércio e cultura
próprio do neoliberalismo, o comércio vem levando a melhor;
nossos bairros estão infectados pela estética do falso e do
kitsch, com nossas ruas exibindo seus prédios como produtos à
venda em uma prateleira de supermercado.
Como alternativa a este modelo vigente de cidade-mercadoria
estamos propondo, para nortear o desenho urbano do Bairro Novo,
uma volta, ainda que na mais modesta das medidas, aos princípios
da cidade Aristotélica, ao mesmo tempo integradora e aberta.
Assim, enunciamos a seguir os fatores que orientaram o projeto e
que julgamos pertinentes para atingirmos o objetivo proposto
acima:
1.1- A integração do bairro com sua vizinhança tendo em vista, a
existência de barreiras físicas em suas divisas norte e sul (o
rio Tietê e a via férrea da CPMT).
1.2- A conciliação da circulação de veículos com outros usos
tradicionais da via pública como passagem de pedestres, local
para passeios, encontros, bares de calçadas, comércio, etc.
1.3- A reintegração, no espaço urbano, das funções habitação –
circulação – trabalho – lazer.
1.4- A harmonização dos diferentes espaços que compõem o bairro
pela unidade de concepção das massas arquitetônicas que os
configurarão, sem prejuízo da diversidade formal desejável.
1.5- A articulação e o equilíbrio entre os espaços públicos,
semipúblicos e privados de maneira a assegurarmos continuidade e
animação para as “vidas” diurna e noturna do Bairro.
1.6- A organização e dimensionamento, na escala do Bairro e da
sua vizinhança, das áreas verdes e dos equipamentos públicos.
1.7- A adaptação dos espaços coletivos ao nosso clima tropical, o
que resultará em forte identidade do núcleo urbano com o lugar.
2. PARTIDO ADOTADO
2.1 Sistema viário
Na concepção do sistema viário do Bairro Novo optamos, em
princípio, pelo reticulado cartesiano (signo habitual de
civilização, segundo Leonardo Benevolo), que de resto é o sistema
adotado na maioria dos bairros vizinhos, orientando-o no sentindo
norte-sul, direção do escoamento natural das águas pluviais para
a bacia do rio Tietê. Assim, , como células básicas do conjunto,
criamos grandes quarteirões de 318x 318m. delimitados por vias
principais de circulação com 25m. de caixa; estas “superquadras”
foram então subdivididas em quatro quadras menores por vias
secundárias que, por sua disposição em forma de catavento, geram
uma praça no interior de cada quarteirão (fig.1). Esta malha
abstrata ao ser sobreposta às vias públicas existentes cria
singularidades nas quadras a elas lindeiras, trazendo o
inesperado e o casual à rigidez do desenho geométrico (fig.2).
Das duas vias arteriais que cortam o sítio a Av. Pompéia é a que
se constitui no eixo principal de interligação do bairro e a
cidade, ao sul, com a margem norte do rio Tietê. Para
materializar efetivamente esta continuidade estamos propondo a
demolição do viaduto existente sobre o leito da via férrea e o
rebaixamento desta última, invertendo-se, deste modo, as cotas do
cruzamento em desnível, o que facilitará bastante o acesso de
pedestres ao novo assentamento, (fig.3) além da possibilidade de
novas e extensas visuais sobre a várzea ao longo do rio. Tal
solução, conjugada com a adição de duas vias laterais para
tráfego local, resultará em um amplo “boulevard” entre a Av.
Francisco Matarazzo e a Av. Marquês de São Vicente e, mais
adiante, a Av. Presidente Castelo Branco. Arrematando a longa
perspectiva assim formada desenhamos uma praça junto a Av.
Francisco Matarazzo e anexos a ela, atuando como “âncoras” do
Bairro Novo, um centro de feiras e convenções e um hotel. Tendo
como vizinhos o Centro Empresarial Matarazzo e o Centro Cultural
do SESC Pompéia, o novo conjunto, por atrair grande número de
visitantes, contribuirá em muito para a integração do bairro com
sua região.(fig.4e5).
Entretanto é preciso salientar que, acima de tudo, projetamos um
sistema viário que procura harmonizar a coexistência entre
pedestres e automóveis sem apartá-los em demasia; assim, nas ruas
principais a calçada será complementada por galerias cobertas sob
os prédios a ela lindeiros; as esquinas, configuradas como
espaços urbanos generosos, (á maneira dos “largos” de
antigamente), propiciam pontos de encontro agradáveis e locais
convenientes para o abrigo de bancas de jornal, telefones
públicos, do carrinho de pipoca, do sorveteiro, etc. (fig.6); o
estacionamento de automóveis será permitido ao longo de todas as
vias do bairro, sendo conceituado como barreira de proteção
necessária entre veículos e pedestres (sobretudo crianças e
idosos). As faixas do leito carroçável a eles destinadas deverão
ser pavimentadas com paralelepípedos, assinalando sua função
específica e permitindo a absorção das águas pluviais junto aos
meios-fios; este tipo de pavimento se estenderá à totalidade das
vias secundárias no interior dos quarteirões, limitando
naturalmente a velocidade do trânsito e contribuindo para
melhorar a permeabilidade do solo (fig.7). As duas vias arteriais
que cruzam o bairro também foram conceituadas como avenidas
urbanas e deverão contar com faróis para a travessia de
pedestres, faixas de estacionamento de veículos, arborização
adequada, etc. Sob as duas praças que projetamos ladeando a Av.
Marques de São Vicente deverão ser construídas garagens públicas,
pois elas se constituem em centro de bairro, com previsível maior
fluxo de automóveis (fig.8 e 9).
Finalizando, lembramos que, contando a região com variadas linhas
e meios de transporte coletivo, o acesso seguro e agradável do
pedestre aos pontos de embarque reveste-se de especial
importância para que este se decida a deixar o carro na garagem.
3. PARCELAMENTO E USO DO SOLO
3.1 Habitação, comércio e serviços
De uma maneira geral as quadras foram divididas em lotes
regulares de 1250 m² e 2.500m² (nas esquinas); este parcelamento
do solo em áreas relativamente pequenas tem como objetivo ampliar
o número de construtoras e incorporadoras capazes de realizarem
projetos imobiliários no bairro.
Quanto ao uso, os lotes com acesso pelas vias principais serão
destinados à habitação e comércio (uso misto) enquanto que os
voltados para os interiores dos quarteirões terão uso
exclusivamente residencial; os lotes de esquina de uso misto
serão “coringas” podendo, caso haja conveniência para o bairro,
serem utilizados exclusivamente para serviços (escritórios,
consultórios, hospedagem, etc) (fig.10). Os lotes destinados à
habitação social foram distribuídos uniformemente entre os de uso
misto evitando-se assim a discriminação espacial dos seus
residentes.
Além do conjunto de feiras e exposições e do hotel já mencionados
anteriormente, destinamos para uso exclusivamente comercial e de
serviços os dois lotes anexos às praças no centro do bairro, os
terrenos situados entre a rua C e a Av. Gustavo W. Borghoff (que
comportarão edificações de maior porte tais como supermercados,
oficinas mecânicas, comércio atacadista, etc) e a área lindeira a
Av. Presidente Castelo Branco, hoje ocupada pelos lotes 124, 125,
136, 143 e 144(n° de contribuinte).
Quanto a esta última, apesar da solicitação do termo de
Referência do concurso para que permaneça no plano urbanístico o
atual parcelamento do solo, pensamos que realmente ela deve ser
remanejada fisicamente (mantendo-se o uso atual), pois sua
irregularidade entra em conflito com a organização fundiária do
bairro justamente em seu ponto de contanto com as marginais do
Tietê, impedindo a leitura visual correta do sítio urbano pelos
passantes. No entanto, estamos apresentando também uma
alternativa (inferior) que prevê a desapropriação apenas do lote
136 e a manutenção dos restantes.
3.2 Uso Institucional
Para este uso reservamos duas áreas junto a rótula no cruzamento
das Avenidas Pompéia e Marquês de S. Vicente (local este de
grande visibilidade pública e vizinho ao parque a ser implantado
no bairro) e duas outras lindeiras à Av. Gustavo W. Borghoff no
trecho em que a ferrovia se encontra semi-enterrada. Os edifícios
deste setor indicados no projeto (ambulatório, creche, centro
esportivo, escolas pública e particular, mediateca) são apenas
sugestões nossas, cabendo a PMSP a decisão definitiva sobre a
ocupação destes lotes. (fig.11)
3.3 Uso Especial
A gleba do Clube Nacional foi remanejada de maneira a integrar-se
ao novo desenho urbano, ficando com cerca de 36.000m² de área
disponível e comportando bem um campo de futebol oficial. Outra
área destinada a esportes foi prevista entre a ferrovia da CPTM e
a Av. Santa Marina para substituir os centros de treinamento do
Palmeiras e do São Paulo hoje existente no local.
3.4 Áreas verdes
3.4.1- Praças internas: as praças no interior das “superquadras”
deverão receber, além da arborização e do ajardinamento,
equipamentos para lazer infantil e da terceira idade tais como
“playground”, ciclovia (circular), recantos com mesa e bancos
para jogos, etc.
3.4.2- Centro do Bairro: as praças do centro do bairro terão
caráter gregário, servindo como ponto de encontro, local para
pequenas feiras da arte e artesanato, manifestações cívicas etc.;
deverão receber pavimentação adequada e ter seu perímetro
arborizado.
3.4.3- Centro de feiras e convenções: as praças anexas a este
conjunto deverão compor, com o “boulevard” criado a partir da Av.
Pompéia, um “continuum” espacial e paisagístico unindo o Bairro
Novo com a vizinhança, ao sul, e com as marginais do Tietê, ao
norte.
3.4.4- Quadras: os interiores das quadras contarão com uma área
“non edificandi” de 15m. de largura para promover a
permeabilidade do solo e o plantio de árvores nos fundos dos
lotes.
3.4.5- Parque: junto ao trevo da ponte Dr. Julio de Mesquita Neto
previmos a implantação de um parque urbano que contará com
arborização formada de bosquetes alternados com grupos de
palmeiras e sub-bosques gramados ou relvados. A este plantio,
destinado ao lazer passivo, acrescentamos caminhos de saibro
próprios para o “cooper” e um pequeno lago.
4. POTENCIAL CONSTRUTIVO E EDIFICAÇÕES
Como dissemos anteriormente, em nosso plano caberá as massas
arquitetônicas harmonizar os espaços urbanos do novo bairro; a
tipologia dos edifícios baseia-se na tradição construtiva de
nossas cidades na primeira metade do século XX, (de feitio mais
europeu do que norte-americano); prédios construídos no
alinhamento das ruas (estabelecendo com elas forte ligação
espacial e simbólica), sem afastamentos laterais e com grandes
recuos de fundo que, somados, constituíam vastos espaços no
interior dos quarteirões. Assim, dentro destes parâmetros,
determinamos para cada lote uma projeção edificável equivalente a
50% da área do terreno a ser obrigatoriamente ocupada em seus
limites e um gabarito de seis pavimentos mais o térreo (a altura
máxima, segundo mestre Lucio Costa, para que um mãe possa chamar
seu filho pela janela) o que, resultará em uma dominância
horizontal tranqüila e adequada a um bairro residencial (fig.12).
O pavimento térreo dos edifícios de uso exclusivamente
habitacional será em pilotis enquanto que os dos de uso misto
serão destinados a lojas (e ao hall dos apartamentos,
naturalmente), sendo obrigatório, no caso, a incorporação de uma
galeria coberta (de pé direito duplo), espaço este tão útil em
nosso clima entre o tropical e o temperado, sujeito a chuvas,
trovoadas, garoa, sol ardente, etc. (fig.13). Um pavimento de
cobertura ocupando 40% da área da projeção edificável será
permitido em ambos, os tipos de edificações, necessariamente
destinado à habitação.
Dentro destas normas e obedecido o código de obras da PMSP, os
projetos arquitetônicos serão individuais para cada lote;
esperamos assim (contando com a criatividade dos colegas) obter a
variedade formal típica de uma cidade aberta.(fig.14). (O
remembramento dos lotes também será permitido).
Em nosso plano, os prédios de habitação popular obedecerão ao
gabarito de térreo +6 e serão distribuídos de maneira uniforme
entre as demais edificações visando a inclusão social dos seus
moradores; o custo de um elevador poderá ser diluído na
comercialização das lojas do térreo.
Em resumo, assim estruturados, os edifícios residenciais e mistos
terão como coeficiente de aproveitamento máximo os valores de 3,2
e 3.24 respectivamente; o coeficiente real, evidentemente
dependerá do projeto arquitetônico específico devido aos vazios
internos de iluminação e ventilação eventualmente necessários.
Os edifícios para os lotes comerciais e de serviço bem como os
das áreas institucionais também serão objeto de projetos
específicos, que obedecerão naturalmente, às projeções
edificáveis e os coeficientes de aproveitamento fixados no plano
urbanístico.
Equipe :
Arq. Euclides Oliveira
Arq. Dante Furlan
Arq. Carolina de Carvalho
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