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Araraquara / SP
A
Remodelação da Unimed-Araraquara
por Andréa Bersanetti
A
Arquitetura de Interiores nos dias de hoje é muito mais do que
arranjo de mobiliário, escolha de plantas, suportes,
luminotécnica, logística.
Trata-se
de uma forma de expressão com um controle e condicionantes mais
acentuados do que os que interferem na produção de uma obra de
arte.
Uma
obra de arte não é funcional a não ser para o direcionamento do
espírito, para o divertimento do intelecto.
A organização de um espaço arquitetônico deve ser eficiente e
funcional.
Há
correspondências intimas entre situações culturais vivenciadas
pelo projetista e o que é realizado no projeto. Quanto maior o
leque de referências do arquiteto mais difícil se torna a escolha
das formas e o arranjo dos elementos. Nesse instante a criação de
um projeto de interiores se confunde com a criação de uma obra de
arte, ou de uma paisagem, por exemplo.
Existe
então duas maneiras de se compactuar com um projeto de
arquitetura de interiores realizado. Seja tendo já vivenciado
situações culturais semelhantes ao do projetista - nesse caso o
que ocorre é uma confirmação, uma compactuação com o realizado,
uma agradável e confortável conferência do que estamos vendo,
atendendo de certo modo nossas expectativas.
A
outra maneira seria a de recusa imediata do que estamos
vivenciando. Um estranhamento causado por não haver a confortável
correspondência cultural com o projetista, não ter adquirido ou
exercitado as mesmas experiências e conhecimento.
O
teor abstrato das formas acentuadas pela luminosidade dirigida,
as cores embasadas numa psicologia aplicada, resultando em novas
formas no mobiliário, no desenho de esquadrias, na paginação do
piso, resulta em algo novo. Uma experiência de início semelhante
ao encontro com um objeto de arte novo, com conteúdo expressivo
estranho ao nosso repertório já sedimentado.
Dentre
essas duas experiências, diferentes em intensidade, o novo, o que
nos é estranho, nos trará mais recompensa.
Uma
ordem de propósitos colocada pelo arquiteto e sendo pouco a pouco
absorvida pelos usuários da readequação de um ambiente, de um
projeto de interiores realizado, aponta para caminhos de
renovação em um repertório vicioso, em idéias afirmadas, em
pré-conceitos firmados.
A
beleza nem sempre está na obviedade das frases, na linearidade
dos conceitos ou das formas. Ela se encontra muitas vezes nas
entrelinhas, no que é ilógico, inexplicável pela ferramenta da
lógica, do logos ou das palavras.
Como
entender e apreciar um poema de Eliot ou Fernando Pessoa sem a
árdua tarefa de nos familiarizarmos com as referências.
A
funcionalidade num espaço reorganizado está no território das
premissas, assim como a logística, responsável pelos corredores
de circulação. Além do cálculo da luminosidade suficiente para se
exercer determinadas tarefas, do cromatismo, refletâncias,
circulação do ar, porosidade e paginação dos pisos.
Um
projeto de interiores corporativo com a do Setor de Atendimento
da Unimed de Araraquara parte de princípios relacionados a:
Ergonomia:
Atender a especificações dimensionais e condições ambientais que
permitam correta utilização por parte do usuário;
Psicologia:
Atender a condições que os tornem mais adequados às percepções,
atitudes e comportamentos;
Tecnologia:
Atender a especificações técnicas e construtivas que lhes
garantam estabilidade, proteção, conforto e segurança;
Economia:
Atender a especificações de forma que, abrigando pessoas,
atividades e recursos, funcione como um dado gerador de clientes.
A
fruição da beleza de um ambiente, de um projeto de interiores
realizado só é possível através da familiaridade com as
referências
O
estranhamento, elemento fundamental para a arte contemporânea
esta relacionado a nossa percepção.
O
estranhamento acontece após o ato percebido. É o diagnostico de
algo a ser explorado - um novo dado do conhecimento. O
estranhamento diante de um poema ou de um texto filosófico é
semelhante ao que nos afeta diante de um objeto de arte ou de um
ambiente projetado.
Qual
o procedimento para que ele se transforme em algo comum, esse
texto de filosofia, esse novo poema, esse novo ambiente, à
primeira vista obstáculos instransponíveis, estranhos, avessos
aos nossos prazeres fáceis - se tornem parte do nosso pequeno
universo de conhecimento.
A
percepção não é uma ação cognitiva, mas funciona como um filtro,
é uma faculdade espectral pairando entre o conjunto de
experiências e os elementos cognitivos.
É
uma faculdade elusiva que precede o conhecimento e a decifração
das experiências sensoriais.
O
estranhamento é o resultado de uma serie de fenômenos que
resultam de experiências filtradas pela percepção direcionadas ao
nosso intelecto. Ao serem decifradas buscam referencias lógicas
em outras experiências ou idéias armazenadas. Quando as respostas
são negativas nos causam desconforto.
Mas
fazem parte do jogo do conhecimento. O entendimento de uma obra
de arte nova seria a recompensa pela difícil tarefa da busca do
conhecimento, da sabedoria sensorial, tão familiar aos artistas.
A
facilitação em tornar algo estranho comum está na depuração dos
preconceitos, na busca das referencias formais, estéticas.
As
respostas a perguntas essenciais: Onde esta a beleza? Como
entendê-la? Como usar da beleza para se obter o conforto,
incremento da nossa qualidade de vida?
A
resposta a essas perguntas está no exercício das nossas
faculdades intelectuais em busca das referências. O exercício: a
leitura do mundo sem preconceitos, a geometria, as cores, as
abstrações propostas pelo projetista formalizadas em móveis,
plantas, sancas, pisos, coberturas, divisórias, etc, etc.
A
remodelação do setor de atendimento da Unimed-Araraquara nos
mostra uma nova maneira de projetar ambientes, aponta para uma
nova arquitetura funcional corporativa, além de criar um
território de mediação à pesquisa estética e formal de grandes
artistas geômetras como Ellsworth Kelly, Sol Lewitt e Tomie
Ohtake.
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