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Infraestrutura sustentável
permite redução de custos em manutenção de pontes e viadutos
Pelo elevado do Joá, principal ligação entre as zonas
Oeste e Sul do Rio de Janeiro, passam diariamente cerca de 80 mil
carros. Em Brasília, a ponte Juscelino Kubitschek é um cartão-postal
da cidade, pela qual circulam em torno de 60 mil carros por dia. A
ponte JK foi interditada em fevereiro, enquanto o elevado do Joá tem
problemas estruturais sérios. Essas duas obras-de-arte especiais têm
em comum a sua localização e importância estratégica para o trânsito
dessas duas capitais. Têm também a mesma origem dos problemas: a
falta de manutenção.
E, em evento recentemente ocorrido no Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) – divulgou-se que o
Brasil conta atualmente com cerca de 5 mil pontes e viadutos sob
gestão pública federal, malha essa com extensão de cerca de 300 mil
metros. Desse total, cerca de 10%, ou 500 estruturas, têm problemas
sérios e exigem manutenção urgente. Para realizar esses reparos, o
governo federal lançou um plano inédito para manutenção, reparo e
alargamento dessas estruturas, denominado Programa de Reabilitação de
Obras-de-Arte Especiais, sob a gestão desse órgão vinculado ao
Ministério dos Transportes. O investimento estimado para essas obras
iniciais de manutenção é de cerca de R$ 1 bilhão. Mas há muitas ou
tras pontes e viadutos que também necessitam reparos e, assim, o
investimento global nesse segmento está estimado em cerca de R$ 5,8
bilhões, para o período 2011-2014.
Esse plano de ação é bastante positivo e necessário,
mas não é suficiente. O ideal é que o governo federal e os governos
estaduais e municipais incluíssem em seus editais de licitação de
projetos e obras rodoviárias e viárias a necessidade da especificação
de materiais sustentáveis, ou seja, duráveis, como por exemplo os
vergalhões de aço galvanizado na estruturação do concreto armado,
procedimento já em uso nos Estados Unidos e na Europa. Assim, a
necessidade de manutenção poderia ser reduzida, em termos de custos e
operacionalmente, com a utilização de insumos mais resistentes à
corrosão, um dos três itens mais citados como frequentes no
mapeamento feito recentemente pelo DNI T.
De acordo com engenheiros especialistas em concreto e
patologias de estruturas, a corrosão do concreto armado é uma lesão
crônica, observada em obras-de-arte especiais. Isto porque, na
maioria das obras, não é atendida a espessura mínima de cobrimento
das armações exigida por norma. Além disso, o concreto, mesmo quando
bem produzido - incluindo a mistura, o transporte, o lançamento, o
adensamento e a cura -, apresenta microfissuras e porosidades, as
quais favorecem as infiltrações e problemas relacionados à corrosão
dos vergalhões de aço da estrutura do concreto armado, principalmente
quando as juntas de dilatação não funcionam a contento, deixando
passar com facilidade as águas pluviais. Após o início da
corros&atild e;o do aço a tendência é de que, devido à expansão das
barras, o concreto sofra trincas e fissurações.
A médio e longo prazo, se essas patologias não forem
sanadas, podem se transformar em lesões estruturais graves, exigindo
manutenção urgente, de grande vulto, com custos que podem ser
equivalentes ao da construção de uma nova ponte ou viaduto,
dependendo do estado das descontinuidades, com o agravante adicional
de gerar problemas na operacionalidade da via, durante o período de
obra.
Vergalhão protegido, estrutura com maior durabilidade
A maneira mais econômica e eficaz para minimizar o
risco de corrosão no concreto armado é garantir uma espessura de
cobertura adequada e que o concreto em si seja denso e impermeável.
Apesar deste conhecimento, a corrosão das armaduras é uma patologia
frequentemente observada nas estruturas em concreto armado,
principalmente em pontes e viadutos.
Este pode ser o resultado de má concepção ou a
utilização de concreto de qualidade inadequada em condições
agressivas. No entanto, também pode ser devido a deficiências simples
no cobrimento oferecido pelo concreto às armações principais e aos
estribos, como espessuras insuficientes para a devida proteção.
Para atenuar esses efeitos, uma série de abordagens
estão disponíveis, entre elas o cobrimento intrínseco do aço tem sido
amplamente utilizado, pois oferece uma série de vantagens:
• Aumenta o tempo de sanidade da estrutura antes que
ocorra o início da corrosão do aço e reduz os riscos de fissuras,
manchas de oxidação e desagregação do concreto;
• Aumenta a vida útil da estrutura;
• Reduz a frequência e a magnitude dos reparos do
concreto;
• O aço fica protegido contra corrosão antes de ser
imerso no concreto.
A galvanização como solução contra a corrosão dos
vergalhões
Dentre os possíveis métodos de cobrimento do
vergalhão, destaca-se a galvanização por imersão a quente que, além
de conferir a proteção por barreira, isolando o aço dos agentes
agressivos, proporciona proteção catódica. O processo de galvanização
por imersão a quente, também conhecido como galvanização a fogo,
consiste na imersão do aço em um banho de zinco fundido a 450°C.
Durante essa imersão, ocorre a reação metalúrgica entre o aço e o
zinco, produzindo um revestimento contínuo formado por uma série de
camadas de liga ferro-zinco e uma camada mais externa de zinco puro.
Essa ligação metalúrgica garante forte aderência do
revestimento ao metal-base, muito superior se comparada a outras
formas de revestimento. Além disso, as camadas de ferro-zinco do
revestimento apresentam dureza maior que o aço em si, conferindo ao
vergalhão galvanizado elevada resistência à abrasão. De forma geral,
os vergalhões galvanizados podem ser tratados do mesmo modo que os
vergalhões sem revestimento e não exigem precauções especiais para
proteger o revestimento durante o manuseio, transporte e instalação
na obra.
Desempenho do vergalhão galvanizado
Os vergalhões galvanizados atendem aos requisitos da
norma NBR 7480:2007 - Aço destinado a armaduras de concreto armado. O
processo de galvanização a quente não afeta as propriedades mecânicas
do aço de reforço e também não altera as características para
dobramento. O zinco tem um limite de pH de passivação muito maior do
que o do aço, o que faz com que o vergalhão galvanizado resista
melhor aos efeitos da redução do pH produzidos pela carbonatação, à
medida que o concreto envelhece. E, ainda, ensaios comprovam que o
vergalhão galvanizado possui aderência ao concreto similar à do
vergalhão sem revestimento.
Expectativa de durabilidade do vergalhão galvanizado
Mundialmente, tem sido adotada uma vida útil elevada para grandes
estruturas de concreto armado, como pontes, viadutos e portos, a
exemplo da Europa, onde a maioria das pontes e túneis são projetados,
desde o início da década de 1990, para uma vida útil superior a 100
anos. Para o atendimento desses padrões em estruturas expostas a
ambientes agressivos, torna-se necessária uma metodologia de projeto
que contemple todas as variáveis que auxiliem na longevidade da
estrutura. A utilização de barras galvanizadas proporciona maior vida
útil à estrutura devido a um processo corrosivo diferente do aço
protegido.
De maneira geral, é possível estimar que a galvanização proporcionará
uma vida útil de quatro a cinco vezes maior que a do aço desprotegido
no concreto. Essa vida útil adicional dependerá de diversos fatores,
tais como: projeto da estrutura; natureza e qualidade do concreto e
agressividade do meio ambiente.
É importante também assinalar a experiência internacional de ponta
nessa área. Estados Unidos e Europa são exemplos de países e regiões
com forte preocupação com a manutenção de suas rodovias, incluindo as
pontes e viadutos, tanto por questões técnico-econômicas como por
segurança da sociedade que delas faz uso. Tanto os países europeus
quanto os Estados Unidos utilizam vergalhão galvanizado em suas
obras-de-arte especiais, e os benefícios deste cuidado podem ser
constatados com uma comparação que atesta a vantagem dessa política:
especialistas avaliam que os custos anuais de manutenção de pontes e
viadutos no Brasil alcançam entre 30% e 50% do valor atualizado de
construção, enquanto nos EUA esse percentual é de apenas 0,5%, na
Europa 1,5% e no Japão de 2,5%.
Carlos Henrique Siqueira
[comente]
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Carlos Henrique Siqueira é
consultor-técnico do Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ),
engenheiro civil, com mestrado e doutorado em patologia das
estruturas; consultor da Concessionária da Ponte Rio-Niterói
S/A; e professor do Programa de Pós-Graduação do Instituto IDD,
de Curitiba-PR
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