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Uma indústria que nasce no
barro
Depois de anos de crescimento, as
indústrias do polo ceramista de Santa Gertrudes, o maior polo
produtor de revestimentos cerâmicos das Américas, foi atingida em
cheio pela crise econômica. Das 36 indústrias do polo, quatro já
deixaram de funcionar e dezenas de linhas de produção estão
paralisadas. A queda na procura por materiais de construção e o
aumento do preço do gás natural, o principal insumo do setor, foram
as grandes causas da retração.
Para evitar que a crise se transforme em recessão, o Governo Federal
vem adotando medidas corajosas de renúncia fiscal em alguns setores
da economia. Uma das medidas que teve maior impacto na retomada das
vendas foi a redução temporária do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), incidente sobre veículos novos e caminhões. É
uma medida polêmica, mas necessária, considerando-se que a cadeia
automotiva responde hoje por 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do
país. Já em relação ao setor de construção civil, que é responsável
por 15% do PIB e pelo emprego de centenas de milhares de
trabalhadores, o governo relutou, mas acabou estendendo a redução do
IPI para alguns itens. Assim, o cimento, por exemplo, teve a alíquota
reduzida de 4% para 0%; as ferragens, tintas e vernizes, argamassa e
concreto, entre outros, de 10% para 5%.
O Governo Federal também lançou o projeto Minha Casa, Minha Vida, que
prevê a construção de um milhão de moradias populares, com a
ampliação e facilitação do crédito para construir. É um plano ousado
para atacar de frente o vergonhoso déficit habitacional do país, que
atinge mais de 90% das famílias de baixa renda e que vem crescendo
ano a ano. De quebra, o projeto deve gerar 500 mil empregos diretos.
A implantação do Minha Casa, Minha Vida e a redução do IPI poderão
ajudar a construção civil a voltar a crescer, quem sabe já neste ano.
Tudo isso, é claro, vai ajudar a indústria ceramista. Mas ainda é
insuficiente; pelo menos, se quisermos voltar a crescer no ritmo dos
últimos anos, quando nos destacamos inclusive no cenário
internacional. Esperamos que o Governo Federal tenha em conta a
importância de outros setores, como o dos revestimentos cerâmicos,
para a retomada do crescimento econômico e, acima de tudo, para a
geração de emprego e renda. Por isso, reivindicamos para esse setor a
extensão de medidas de incentivo fiscal, como a redução de IPI. Todos
nós conhecemos a importância econômica da indústria ceramista: ela
responde, por exemplo, por 57% de todo piso e revestimento produzido
no país e pelo consumo de 80% do gás natural empregado no Estado de
São Paulo. Mais importante ainda, essa indústria emprega mais de 200
mil trabalhadores diretos e indiretos. No polo estão mais de 80%.
Suas famílias não podem ficar à mercê da incerteza destes tempos
difíceis.
João Carlos Vitte e João Oscar Bergstron*
www.aspacer.com.br
[comente]
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(*) João Carlos
Vitte é prefeito de Santa Gertrudes. João Oscar Bergstron Neto é
presidente da Aspacer (Associação Paulista das Cerâmicas de
Revestimento) |