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Construção Civil: vacina
contra a crise
Há uma fórmula
simples e objetiva para garantir o emprego e o desenvolvimento em
2009, com crise mais ou menos aguda: Indústria da Construção Civil +
Indústria Automotiva. É a vacina contra os efeitos da crise no
Brasil. Se o governo tiver que enfocar seus investimentos, de olho no
emprego, na renda, na arrecadação de impostos, basta assegurar que
estes dois segmentos produtivos tenham crédito e projetos de
desenvolvimento.
Se alguém duvida disso, faça as contas. Em 2007, de acordo com os
dados do Construbusiness a cadeia da construção civil (que vai do
fabricante de matérias-primas às corretoras que vendem imóveis) foi
responsável por 11,3% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas
as riquezas geradas pelo Brasil. No mesmo período, o segmento
automotivo respondeu por 22,11% do PIB.
Estes são os dois grandes setores da economia nacional, que empregam
o maior número de trabalhadores e movimentam outros segmentos como
vendas, serviços e a indústria de derivados, cimento, autopeças,
combustíveis etc.. Tudo isso sem contar o grande potencial de
crescimento, com o déficit habitacional, o desenvolvimento da
construção civil e a demanda reprimida da indústria automotiva.
É claro que há outros segmentos produtivos essenciais, como a
agroindústria, mas já há todo um sistema de financiamento e de apoio
político ao agribusiness, que, em maior ou menor dimensão, com
certeza receberão o que necessitam para produzir.
O que queremos deixar claro é que construção civil + indústria
automotiva podem evitar desemprego, perda de renda, queda de
arrecadação de impostos, e conseqüente redução de investimentos
públicos e sociais.
Significa que não precisamos sofrer mais do que o inevitável no ano
que vem. Nos Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália a maioria da
população já tem o básico e o supérfluo. No Brasil, Índia, China,
África do Sul e Rússia a situação é outra.
Mais de um bilhão de consumidores ainda sonha com o dia em que
poderão fazer três refeições diárias, morar dignamente, ter saúde,
educação, segurança e lazer.
Não podemos postergar, a cada nova crise cíclica, a integração destas
famílias ao mercado consumidor.
Voltando ao Brasil, temos que manter e até acelerar o processo de
mobilidade social ascendente, para que mais brasileiros tenham
respeitados os direitos básicos da cidadania.
Há muitos ralos pelos quais se escoa o dinheiro público, agravados
pela perversa burocracia que atravanca nosso desenvolvimento.
Senhor presidente Lula, ministros, congressistas, governadores,
prefeitos, canalizando adequadamente os recursos públicos, não há
porque o Brasil submergir em meio a um cenário de crise. Ao
contrário, podemos aproveitar para crescer, para aperfeiçoar nosso
processo de geração de riquezas, com o desenvolvimento do mercado
interno e medidas a favor do crédito – bases do nosso crescimento.
Construção + Indústria Automotiva, austeridade nos gastos e programas
sociais bem direcionados. Quantos países dispõem de uma vacina tão
simples para crescer e se desenvolver em 2009, tenha a crise o
tamanho que tiver?
José Carlos de Oliveira Lima
marcos@casadanoticia.com.br
[comente]
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José Carlos de
Oliveira Lima é presidente do Sinaprocim (Sindicato Nacional da
Indústria de Produtos de Cimento), vice-Presidente e Diretor do
Departamento da Indústria da Construção – Deconcic/Fiesp. |