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Madelustre recria o vidro
de Murano no Brasil
Fabricante de luminárias é a única do
país com vidraria própria

Destaque entre as principais fábricas de
luminárias decorativas do país, a Madelustre especializou-se na
produção de estruturas em madeira e metal para luminárias. O rigor
com a qualidade e com o design diferenciado foi rapidamente percebido
pelo mercado e por especialistas nas áreas de arquitetura e
decoração.
Em 2008, a Madelustre surpreendeu o
mercado ao implantar uma vidraria para produção de peças exclusivas
sopradas e moldadas, tornando-se a única fábrica brasileira de
luminárias com vidraria própria. O objetivo foi viabilizar a
fabricação de peças com design próprio e exclusivo também nos vidros.
Toda a tecnologia necessária para
implantar a vidraria, incluindo fornos, estamparia, têmpera, corte e
lapidação, foi importada da Itália. O projeto industrial é assinado
pelo designer italiano Giorgio Padovan e tem capacidade para produzir
40 mil quilos/mês. Todo o processo de fabricação de vidro é
artesanal, através dos sistemas piastra, vidro soprado e vidro
centrifugado.
Para implantar a vidraria e capacitar a
equipe nas novas técnicas, a Madelustre trouxe técnicos da Itália,
especialistas e mestres na produção de vidros de Murano, que
permaneceram sete meses na empresa dando treinamentos e afinando
processos.
A primeira coleção fabricada na vidraria
já se projeta no mercado com o diferencial de vidro artístico
tradicional de Murano, conhecido como Triplex (três camadas
sobrepostas). A técnica é desenvolvida de forma exclusiva no Brasil
pela Madelustre.
Linha Bottiglia inaugura vidraria
Criada para decorar ambientes modernos e contemporâneos, a Linha
Bottiglia da Madelustre introduz no mercado brasileiro de luminárias
a tendência de vidros coloridos, já consagrada na Europa.
Produzido no sistema de vidro Triplex,
tradicional de Murano – Itália, apresenta três camadas sobrepostas:
vidro cristal (interno) vidro branco leitoso e vidro cristal
(externo), conferindo efeito de profundidade e delicadeza.
O design assinado pelo designer italiano
Giorgio Padovan acompanha tendências internacionais de maior
verticalidade nas luminárias e contempla estudos sobre projeção e
difusão da luz.
A variedade de cores confere alternativas
para maior ou menor difusão da luz, conforme o efeito desejado na
decoração. A coleção é apresentada nos padrões de cores preto,
vermelho, branco e branco leitoso e com detalhe de um cordão de vidro
espiralado em preto.
A Coleção Bottiglia se incorpora às
linhas tradicionais já fabricadas pela Madelustre: Medieval,
Contemporânea, Clássica e Colonial, que incluem lustres, abajures,
arandelas, spots, abajures de piso, pendentes, plafons e acessórios
decorativos.
Tradição na arte de luminárias
Fundada em 1984 pelos irmãos Clóvis, Miguel e Rui Furlanetto, na
cidade de Garibaldi/RS, a Madelustre especializou-se na produção de
estruturas em madeira e metal para luminárias e hoje figura entre as
principais fábricas de luminárias decorativas do país, marcando
presença em feiras no Brasil e no exterior.
Sua primeira linha Medieval era composta
de peças em madeira maciça envelhecida, entalhada à mão, com vidros
adquiridos de fabricantes paulistas. Ao longo dos anos, os sócios
investiram no capital humano, tecnologia, qualidade e ampliação de
linhas.
Na década de 1990, iniciou a importação
de vidro de outros países, que possibilitou a diversificação dos
produtos e a incorporação de design diferenciado. Com foco no mercado
internacional e em novos processos tecnológicos, os diretores
visitaram as vidrarias da Itália, onde conheceram o designer e
consultor italiano Giorgio Padovan, que assessora a empresa há sete
anos.
A Madelustre produz linhas completas de
luminárias decorativas, incluindo lustres, abajures, arandelas,
spots, abajures de piso, pendentes, plafons e acessórios decorativos
que se destacam pelo design exclusivo.
As linhas têm design padrão médio-alto e
a fábrica se destaca pela agilidade na criação de novos produtos.
Opera em todo o mercado brasileiro e exporta 13% da produção para a
América Central, do Sul e do Norte.
A Madelustre possui três unidades fabris:
Divisão de Montagem e Expedição, Divisão Marcenaria e Fábrica de
Vidros, além de um Centro Administrativo, totalizando um parque
industrial com área construída de 5.000 mil m2 e 75 funcionários.
Preocupação com o meio ambiente
O cuidado com o meio ambiente inclui energia à base de gás GLP,
tecnologia importada com sistema de filtragem dos gases emitidos na
produção dos vidros e pintura à base de água para as peças de
madeira. A empresa utiliza somente madeiras certificadas pelo IBAMA.
Os processos industriais são orientados
para o alto aproveitamento das matérias-primas e baixa geração de
resíduos. A empresa conta com estação e tratamento para efluentes
líquidos e é rigorosa na destinação adequada para os efluentes
sólidos, líquidos e gasosos.
Incentivo ao Design
Em parceria com o curso de Design de Produto da UCS - Campus de Bento
Gonçalves -, a Madelustre está promovendo um Concurso de Design para
Luminárias.
Participam alunos do 6º semestre da
disciplina de Projeto de Produto. O objetivo é fomentar o design na
criação de soluções inovadoras para a iluminação decorativa. Os
vencedores serão conhecidos em dezembro.
A magia do vidro ao longo da história
O vidro sempre foi considerado um dos materiais mais fascinantes para
se trabalhar. A plasticidade no ato de moldá-lo e as infinitas
possibilidades de criação e soluções estéticas fazem do vidro um
suporte especial à produção artística, para além de suas funções
utilitárias de conter e mostrar.
Acredita-se que a arte do vidro remonte a
mais de cinco mil anos e tenha sido desenvolvida por fenícios e
egípcios. O primeiro vidro pode ter sido fabricado pela própria
natureza nos vulcões, já que sua fórmula é composta de elementos
básicos, como a sílica (areia – matéria-prima principal), carbonato,
potássio, sódio, magnésio e cálcio. No atual processo de fabricação,
os minerais são fundidos em fornos a 1370º.
Alguns livros contam que navegadores
fenícios cozinhando numa praia arenosa utilizaram dois pedaços de
carbonato de sódio como apoio à panela. Quando o fogo se extinguiu
perceberam que parte da areia aquecida pelas chamas havia se
transformado em líquido.
O povo romano se especializou na arte de
trabalhar o vidro e foi quem recebeu o título de inventor do “muro
transparente” (vidraça) e da técnica do vidro soprado.
Após a decadência do Império Romano, os
mestres vidreiros concentraram-se principalmente em Veneza, na
Itália. Para garantir o segredo das fórmulas do vidro e resguardar o
conhecimento dos seus mestres, as fábricas foram limitadas à Ilha de
Murano, cerca de 700 metros de Veneza.
Os artesãos de Murano transformaram o
vidro em verdadeiras obras de arte. Aliaram forma e luminosidade à
fragilidade das peças. Moldaram, cortaram, tingiram, sopraram e deram
formas a objetos belamente manufaturados que conhecemos hoje, como
vitrais, candelabros, taças, jarras, espelhos, entre outros.
Enquanto Murano manteve-se produzindo o
vidro artístico, na Europa e em outros continentes iniciava-se a
produção em série de grande variedade de produtos.
Os imigrantes italianos que chegaram à
Serra Gaúcha no final do século XIX trouxeram na bagagem o
conhecimento de técnicas da cultura vidreira. Diante dos inúmeros
afazeres que a nova terra exigia, a expressão artística foi deixada
de lado e deu lugar à produção em série de vasilhames para abastecer
a indústria vinícola.
Nas décadas de 1970 e 1980 chegaram a
funcionar 19 empresas de fabricação de vidro na região. Grande parte
da produção era destinada aos garrafões e garrafas e muito pouco a
peças de artesanato.
Com a crise da economia do início dos
anos 80, as fábricas da região passaram a perder competitividade para
indústrias do centro do país. Não se renderam aos novos processos
tecnológicos e poucas sobreviveram.
A retomada da cultura vidreira ganhou um
novo capítulo na região com a implantação de uma vidraria própria
pela Madelustre.
Rochele da Veiga
rocheledaveiga@gmail.com
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