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Nosso Compromisso com o
ECODESIGN
Atualmente a devastação de nosso
meio-ambiente está se manifestando como em uma progressão geométrica
e se não houver uma revolução para impedir que isso aconteça em
poucas décadas estaremos em condições precárias de habitar a terra.
Embora pareça alarmante demais essa afirmação, o que lemos e
estudamos sobre o efeito estufa que esgota nossos recursos minerais,
fósseis e hídricos deveria nos deixar conscientes, pois para atender
a sociedade de consumo a indústria do mundo todo trabalha sem cessar
liberando cada vez mais resíduos tóxicos que comprometem a natureza.
Aviões, carros e motos também liberam os gases que causam o efeito
estufa aumentando a temperatura do globo.
A preocupação com o meio-ambiente tende a ser obrigatória para a
concepção de qualquer produto por isso gostaria de fazer algumas
considerações sobre um assunto do qual participei de uma palestra há
pouco tempo atrás no SENAC-RJ ministrada pela arquiteta e urbanista
Norma Elizabeth Pereira Corrêa onde encontrei arquitetos e designers
muito interessados pelo tema: o ECODESIGN.
A palestra abriu várias discussões devido à relevância deste assunto
para o profissional da área de Design.
Criar produtos comprometidos em diminuir o impacto ambiental negativo
e, se possível, gerar impactos positivos é uma responsabilidade que
também cabe aos profissionais da área de Design sejam arquitetos ou
designers, que devem em seus projetos procurar empregar o conceito do
ECODESIGN.
O ECODESIGN considera os aspectos ambientais em todas as etapas do
ciclo de vida de um produto desde a extração das matérias-primas, sua
fabricação, uso até o descarte com o objetivo de reduzir ao máximo
seu impacto ambiental. Deve ser pensado no início de um processo que
deve planejar o desenvolvimento, a produção, o uso e o descarte de
materiais alternativos para minimizar os efeitos da produção em
escala industrial sobre o meio-ambiente.
O investimento em produtos que adotam o conceito de ECODESIGN é
interessante para a indústria se considerarmos que ela estará de
acordo com normas e legislações atuais aumentando a demanda do
consumidor que cada vez mais tenderá a ter consciência de sua
responsabilidade socioambiental. Além disso, poderá se destacar por
apresentar um produto diferenciado e com inovação tecnológica. A
tendência é que a procura por produtos ecologicamente corretos seja
um caminho sem volta e não apenas um modismo.
O Ciclo de vida de um produto começa na decisão de quais
matérias-primas serão adotadas. Nesta etapa deve-se pensar em usar
matérias-primas que possam ser recicladas e que sua extração seja em
locais que respeitem a preservação da natureza (as florestas com o
selo FSC, por exemplo). O uso de menos variedades de matérias-primas
também ajuda a reduzir os resíduos da fabricação de um produto.
A próxima etapa seria a fabricação onde se deve levar em consideração
que produtos de formas simplificadas, tamanhos reduzidos e pouco peso
diminuem o custo da produção além de terem facilidade de montagem,
armazenagem e distribuição. Em alguns casos é muito vantajoso
aproveitar os resíduos e aparas das matérias-primas gerando outro
produto diferenciado. No processo de fabricação também é importante
que sejam usadas formas de energias renováveis.
Os produtos fabricados devem ser embalados e distribuídos. Muitas
vezes a embalagem pode ter maior impacto ambiental negativo que o
próprio produto e pode ser composta de várias matérias-primas, por
isso a embalagem também deve ser reciclável ou, em alguns produtos,
retornável (vai-e-vem). A logística necessária para a distribuição do
produto também é nociva ao meio-ambiente, pois é normalmente
transportada por aviões ou caminhões.
Quando o produto chega às mãos do consumidor ele deve ter uma grande
durabilidade. Para isso, a escolha de matérias-primas de boa
qualidade e um design bastante atraente e sem modismos é fundamental
no tempo de vida de um produto. A relação entre o homem e o objeto
deve ser duradoura. Quando são criados laços positivos de afetividade
entre o homem e seu objeto é muito mais difícil seu descarte. Os
fabricantes podem criar estratégias de serviços para que esse objeto
seja recondicionado, adaptado ou transformado.
A tabela abaixo tirada do livro "Haverá a idade das coisas leves" de
Thierry Kazazian, na pág 63, editado pela SENAC de SP, ilustra muito
bem o exemplo de um produto durável e que utiliza os princípios do
ECODESIGN.

A última etapa do ciclo de vida de um
produto é o descarte, nesta fase, a orientação aos consumidores é
fundamental, pois esse produto poderá ser reciclado ou reutilizado
voltando para a primeira etapa.
Quando um arquiteto ou designer cria um mobiliário, deve procurar
entender todo ciclo de vida desse mobiliário, assim poderá pensar em
como pode contribuir para que esse produto tenha o mínimo de impacto
nocivo ao meio ambiente. Aí sim, estará pensando em ECODESIGN.
Maria Helena Torres
Arquiteta e Urbanista pós-graduada em
Design de Interiores
mhtorres1@hotmail.com
[comente]
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Maria Helena Torres
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