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Reforma de Residência |
Niterói, RJ
Antes
A identidade sombreada por folhas ressecadas, pintura envelhecida e espaços mal aproveitados apontava que uma iminente recuperação de auto-estima se faria necessária, de forma a se trazer de volta o prazer do deleite rotineiro e o convívio social nesta residência de 110 m² de área edificada, cujos 116 m² de sua área externa seriam o objetivo deste trabalho.
Deteriorada em termos de acabamento e com espaços defasados por anos sem receber nenhuma intervenção, urgiriam modificações globais, sendo apresentado num estudo preliminar a relocação da garagem e da área de serviço, instalação de uma churrasqueira (onde antes estacionavam os carros) e criação de um banheiro de apoio e um canil em ponto estratégico. No entanto, sendo a prévia negociação junto aos fornecedores bem sucedida, a expectativa orçamentária se mostraria aquém do imaginado, possibilitando à cliente uma cessão aos detalhes de aperfeiçoamento e conseqüente valorização do projeto promovidos pelo arquiteto.
Assim, seriam adicionados ao programa inicial uma cobertura metálica com vidro sobre a área da churrasqueira que teria acoplado um forno a lenha além da pintura de todo o madeiramento e telhado, com colocação de calhas, e a criação de um jardim iluminado. Todos estes novos itens seriam conquistados a partir de um gerenciamento de gastos minucioso feito pelo arquiteto, gerando-se uma economia significativa com processos específicos de contratação de serviços e aquisição de materiais.
O conceito da casa seria gerado a partir da necessidade primordial de reavivamento da fachada onde a combinação do verde com o branco trariam também um certo requinte à edificação e da restruturação dos ambientes. Três tons de verde seriam aplicados na casa: o tom mais claro nas paredes; um tom médio no muro externo (acompanhado do emolduramento na cor concreto) e a textura em verde escuro no salão da churrasqueira, que ganharia um piso em porcelanato concreto e a cobertura de alumínio branco e vidro temperado verde. Em toda a casa seriam usados os detalhes em granito Verde Ubatuba.
Se antes a casa apresentava-se com ambientes sem definição precisa, a partir do projeto, os espaços ganhariam uso, sendo cada centímetro efetivamente importante para o bom funcionamento da casa em seu todo. A começar pelo salão da churrasqueira que antes abrigava dois veículos estacionados, além de uma acanhada área de serviço este surgiria como importante elemento de recuperação do prazer em receber pela sua flexibilidade, assim como passou a ser uma extensão das salas de jantar e estar. Mesmo em dias de chuva, o salão seria passível de utilização, já que a cobertura metálica protegeria e proporcionaria um efeito visual interessante com o deslizamento da água sobre os vidros.
Do salão até a nova garagem, o traçado orgânico definido pelo jardim teria a função de suavizar a transição de ambientes, mais evidente com a mudança de revestimento de piso, aplicando-se o anti-derrapante na zona de circulação (descoberta). A garagem, localizada no outro extremo da casa, receberia blocos intertravados nivelados com a cisterna já existente, a mesma que definiria o desenho do jardim. Abrigando agora com folga dois carros, sua localização não mais afetaria a circulação de pessoas, sendo somente necessário atravessá-la para o acesso ao canil, estrategicamente posicionado no lado inverso à área social, e que ganharia pontos de água e luz independentes, além de revestimento de piso frio, de fácil limpeza.
Um dos ganhos mais significativos seria a transferência da área de serviço para a parte traseira, acabando com a poluição visual proporcionada pelas roupas estendidas no varal em plena área nobre da casa.
Se não visível do lado de fora da residência, internamente o desenho sinuoso em granito Verde Ubatuba do jardim iluminado seria determinante para se obter a desejável sensação de aconchego e arejo pela cliente. Materiais reaproveitados como os cacos de telha substituídas na obra e cascas de pinus harmonizariam com seixos, pedriscos e a vegetação de destaque. Seria necessário criatividade na disposição dos materiais, já que a laje da cisterna impediria o cultivo de vegetação, adotando-se assim os minerais como alternativa de revestimento.
Medidas sustentáveis não se reduziriam ao uso dos cacos de telha no paisagismo, mas também na utilização do entulho de concreto e alvenaria para elevação de piso, assim como no reaproveitamento da madeira do telhado removido da antiga área de serviço no reparo de caixilharias e na criação de peças de mobiliário.
Concidência ou não, floresceria na inauguração, pela primeira vez, um esplendoroso ipê branco, que seria o símbolo do novo ciclo de vida dos moradores de energias renovadas a partir das tão necessárias e aguardadas intervenções e o elemento especificado pela natureza, que contribuiria inegavelmente para a recuperação definitiva da identidade da casa.
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