gruposp

 

Alvaro Puntoni, 
Jonathan Davies e 
João Sodré
 
55 11 3068-0112
 
 
@ WEB
  
 
Residência 1

Museu do Ouro / Sabará, MG

Anexo do Museu do Ouro, Sabará, 2004
Não confundir o “velho” e o “novo” é o partido adotado. A uma edificação antiga será adicionada uma nova. Entre elas acumulam-se trezentos anos: não pode haver falsas soluções de continuidade. Não é cabível importar materiais de uma para a outra, não é cabível que uma imite a outra: é possível que se comuniquem, é necessário que se comuniquem, é obrigatório que se comuniquem. Não se trata de purismo, mas de uma arquitetura no interior da qual se diga o Tempo. Exigência do projeto.
Para criar espaço entre esses “tempos” implanta-se o “novo” na borda do lote; valoriza-se a idéia pregressa do “quintal urbano” que ficaria então ressarcido. Cria-se espaço e fluência entre um lado e o outro, valoriza-se (por extensão) o pátio anterior da casa colonial original. Afastá-los, por fim, cria pontos de vista novos para que sejam contemplados, um desde o outro, o “velho” e o “novo”, um a partir do outro. Virtude do projeto.
O espaço do Anexo é conformado por duas longas paredes estruturais paralelas de concreto, afastadas 3 metros, encaixadas entre os vazios da vegetação existente, como uma galeria de 30 metros de extensão. Portas pivotantes metalicas podem dividir seus espaços internos. Este grande plano define e conforma os espaços e tempos do novo conjunto arquitetônico.
Uma pequena praça de acesso para o Anexo liga-se com a rua e concilia a diferença de níveis existentes por meio de uma pequena escada onde um muro de vidro determina a fronteira entre os conjuntos edificados. Desta praça pode-se acessar tanto o Museu como o Anexo, além de servir como palco para o anfiteatro aberto. A arquibancada, como uma larga e pausada escada, promove a ligação entre os dois níveis do anexo e através dele pode-se chegar à sala multiuso e ao pátio posterior do núcleo tombado.
Uma escada metálica engastada na empena cega da sala multiuso, sem tocar o piso do pátio histórico, permite acessar a cobertura do edifício, cuja altura nos põe em o contato com o verde do lugar e propõe panoramas do Museu e da cidade, sítio histórico. Este percurso é possível mesmo que o Anexo esteja fechado.
A cobertura, como uma terraço-mirante, permite-nos andar na altura das copas das árvores e, com sorte, pisando o tapete de folhas caídas, secas, úmidas. É ele, o próprio edifício, o que repõe o quintal perdido. É ele quem nos oferece as frutas mais próximas, as paisagens mais distantes, a ausência do tempo.

Arquitetura: Álvaro Puntoni
colaboradores: João Sodré, Juliana Braga e José Guilherme Pereira Leite
fotos do modelo: João Sodré


| voltar | principal |