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Aleph Zero

 

Gustavo Utrabo

Pedro Duschenes
 

 

Fundado em Curitiba, o escritório de arquitetura Aleph Zero atua em áreas que abrangem desde o desenho de mobiliário, exposições, arquitetura residencial e comercial até projetos de escala urbana, tanto para clientes do setor público quanto do setor privado.

 

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Público / Cultural

 

Intervenção A-tra-vés | Curutiba / PR

 

 

A-tra-vés


Além de um longo descampado consigo avistar uma imensa massa verde que se destaca no horizonte. Ela, estranhamente, me magnetiza como uma miragem, me atrai com uma força estranha e descomunal para seu interior como se lá houvesse algo a ser vivenciado. Inconscientemente, caminho lentamente em sua direção, atravesso o descampado e aos poucos a vegetação rasteira se aproxima da minha cintura. Corro a mão gentilmente sobre ela, gradativamente ela cresce e acolhe meu corpo, como se me abraçasse aos poucos.

No perambular, como que hipnotizado, tento alcançar seu interior, e ao passo que me aproximo, mais densa ela se torna, sempre progressiva, em transições imperceptíveis fico diminuto perante o porte que ela vai tomando a cada novo caminhar. Não sinto nenhuma interrupção abrupta, tudo flui, é sempre um constante de passagem, um continuum, uma sensação que se liga à próxima, mesmo que em certos momentos meu olhar se fixe em pequenos detalhes que a compõe, não me aprisiono a isto e sigo a me deslocar.

Não sou somente eu quem se move, ela se movimenta em resposta a mim e a uma infinidade de outros elementos, sobre os quais não possuo controle. Nos movemos juntos, a ponto de não mais saber se é ela que interfere em mim ou eu que interfiro nela.

Aos poucos, como em um descobrir, visualizo um ponto de luz distinto, sou atraído a ele, caminho em sua direção. Quanto mais me aproximo, mais forte ele se torna. No início era somente um ponto, agora um forte facho de claridade que se mistura à sensação de acolhimento que a ela mantém com meu corpo. A cada passo a luz fica mais intensa, até o momento em que fico prestes a tocá-la, porém para isto preciso, agora sim, romper uma barreira, um portal. Não hesito e entro. Como em uma epifania adentro a clareira onde, uma vez mais, a luz se abunda e rompe a leve transição que havia vivenciado. Agora, tudo é claro e ainda mais vertical, a escala é outra e penso como seria se outros estivessem aqui desfrutando deste mesmo local.

II Entre o ir e vir, entre o acessar e o sair, entre as distintas hierarquias, como meu corpo se comporta?
Como seria se nenhuma porta mais abrisse? O que ocorreria se o simples transladar nos possibilitasse não somente o acessar, mas também, uma gama de sensações indicativas da vivência do presente e não mais de um novo estado a qual se sonha acessar? O que aconteceria se as dialéticas conformadas através de uma ruptura sensorial, tais como aquelas estabelecidas corriqueiramente entre o público e privado, entre o dentro e o fora, entre o passado e o futuro, fossem dissociadas? Uma vez que não há como experimentar um conhecimento metafisico sobre um próximo estado - o estar dentro ou fora, por exemplo - somente é possível vivenciá-lo a partir do momento em que se encontra neste outro estado.

Ou seja, só compreendemos realmente o que significa “estar dentro” a partir do momento que presenciamos este novo momento. Almejamos alongar a ruptura que ocorre entre dois estados distintos, dissolver uma linha rígida em um degrade de pontos que se expandem e, assim, conformar um espaço que nos lembra, agora e continuamente, de um presente estar entre, ou através.

Ficha:
Status: construído
build Área/Area: 105,00 m2
Autores/Authors: Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes
Equipe/ Project Team:Ana Júlia Filipe, Bárbara Zandavali, Maguelonne Gorioux, Felipe Gomes, Severine Bogers
Local/Location: Museu Oscar Niemeyer - Curitiba, PR
 


 

Público / Cultural

 

 

Intervenção [Des]dobrar | Curutiba / PR

 

 

[Des]dobrar


O deslocamento de um indivíduo através de um espaço público proporciona a possibilidade de um desdobramento para uma complexidade latente, em uma situação de aparente simplicidade. O objetivo da instalação está em desmontar a percepção do local comum através do movimento e da reflexão (superfície).

Há que se possibilitar o movimento do objeto, um constante vir a ser, que não acontece de maneira independente, pré-programada, mas em ressonância com o fluxo de observadores através do local onde ele se encontra. A obra “dança”, e ainda mais importante, convida a dançar. Assim busca-se inverter a ordem automática onde a consciência da própria existência se dá simplesmente através de uma reflexão (eu me vejo, recordo que existo) e a influência do indivíduo no espaço é reproduzida por seu movimento (eu me movo e modifico o mundo externo a mim). O que se propõe é que o movimento seja o elemento de conscientização da própria existência e a reflexão sirva exclusivamente à modificação do espaço. Ocorre a dança, o objeto, pré-concebido como inanimado, responde instantaneamente ao observador seguindo-o e acusando-o de lá estar. Por um instante, turva-se a distinção entre indivíduo e realidade externa, entre sujeito e
obra. O observador toma consciência de sua ontologia como ator conectado em uma complexa rede de relações normalmente ocultas. Seu papel é ativo, sua ação é capaz de transformar, e essa transformação exige energia: desejo, tensão, movimento.

A estrutura foi construída com dezenas de totens espelhados em aço inox, posicionados ao lado do Bloco de Arquitetura na Universidade Positivo.

Ficha
Autores: Gustavo Utrabo, Juliano Monteiro e Pedro Duschenes

Arq. Ernesto Bueno, Lucas Issey, Sabine Meister, Mathilde Poupart e Lucille Daunay

Sociologo/Pesquisador: Hugo Loss

Eng. Ricardo Dias

Participantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo: Prof. Gisele Pina, Prof. Adriano Dorigo, Prof. Alexandre Ruiz, Prof. Araldo Freudenberg, Bruna Fabre, Eduardo Witt, Gabriela Casagrande e Marcelo Loro.

 


 

 

 

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